
Para quem você dá a voz?
Esta é uma pergunta cascata. O que é uma pergunta cascata? Aquela pergunta que desencadeia muitas outras. Para quem você dá voz? Qual o efeito desta opinião na sua vida? Esta voz te empodera ou não?
Para quem você dá voz?
Nos meus atendimentos de Life-Coach me deparo com frequência nas questões de auto estima e autoconfiança; O trabalho do Coach e Neurociência que realizo é um trabalho teórico/prático, apresento conceitos que possibilitam uma mudança de percepção, e em seguida apresento ferramentas para iniciarmos um treinamento. Através da criação de novas redes neurais e da repetição de hábitos que as fortaleçam podemos caminhar na direção da pessoa que gostaríamos de nos tornar. É um trabalho interno, que se manifesta no externo. A meditação e a visualização são aliadas para a expansão da consciência. A borboleta rompe o casulo quando suas asas estão fortes para o voo…
Ouvimos muitas coisas ao nosso respeito. E por vezes até numa boa intenção. A construção da identidade de um indivíduo na sociedade ocidental se dá muito pelo meio externo e pela socialização. A cultura é uma produção de significado coletivo, somos parte também do meio em que estamos inseridos. A experiência de morar fora do Brasil e ter viajado grande parte do mundo, me traz referências diversas além da educação que recebi da minha família base. Trocar de lugar e ver a vida por uma nova ótica é um exercício natural para mim, até porque como preparadora de atores é isso que proponho. Trocar de lugar e vivenciar a vida sob o olhar da personagem. Há muita empatia neste processo. A empatia é um dos valores do novo mundo que será colaborativo e não competitivo. E ao trocar de lugar estamos naturalmente trabalhando com a nossa neuroplasticidade, por que ver o mundo de um novo lugar nos tira do nosso condicionamento. E como é bom aprender a viver no “mode” Criativo.
Me formei em comunicação social pela UFRJ e a experiência de estar numa Universidade Federal me fez perceber a trajetória do Brasil de uma outra forma. Já o Mestrado feito na Índia com alunos do mundo todo, me fez perceber que independente da cor, raça, país, idade, orientação sexual, se temos uma busca em comum, estamos unidos por algo maior. É a busca que nos une, e esta busca depende da nossa percepção e do nosso grau de consciência.
A nossa sociedade reverbera o Patriarcado estrutural. (Totalmente desalinhado com os valores do novo mundo) O patriarcado fala de uma estrutura de hierarquia simples. Eu mando e você obedece. Eu falo e você escuta. Eu ensino e você aprende. Eu pago e você entrega o serviço. O patriarcado está intimamente relacionado com a ideia de que dinheiro é poder. No novo mundo o conhecimento é poder.
A nova ciência traz o conceito de hierarquia entrelaçada. Um conceito que traz as relações para uma outra esfera. Se intencionamos nos relacionar de forma aberta, autêntica e sincera, existe um fazer coletivo que convida a força criativa da vida a participar. Na hierarquia simples temos um que manda e um que obedece. Egos no comando. Na hierarquia entrelaçada (Self-Transpessoal) temos uma liderança consciente, algo que surge entre os seres, temos o sentido de colaboração, sendo que o ponto de partida sempre será a percepção de que eu e você somos parte da mesmo totalidade, e no nosso encontro aprendemos mutuamente. A minha criação com a minha filha se dá neste lugar de parentalidade consciente, de hierarquia entrelaçada e não de hierarquia simples, assim como meus atendimentos e aulas.
Mas onde este conceito se relaciona com a pergunta cascata que dá título a este artigo?
Para quem você dá voz?
Muitas pessoas tem questões de auto estima porque ouviram coisas que as marcaram profundamente. Muitas vezes na infância, em geral por alguém por quem tinham afeto ou que eram uma referência para elas.
Nem todo mundo vive com a consciência do que fala, e de como impacta a vida de uma pessoa com a sua fala.
Então se você dá voz para pessoas que não percebem o seu talento, que não valorizam a sua história, as suas conquistas, se você continua considerando a opinião de pessoas que ainda se relacionam com você em hierarquia simples, você pode ter sua auto estima abalada.
Grande parte das pessoas perdeu sua autenticidade porque tem necessidade de agradar a todos. A autenticidade é um valor também muito importante para o novo mundo. São as pessoas autênticas e originais que ao ter uma boa ideia podem ter a coragem para realizá-la. Pessoas autênticas e originais conseguem pensar fora da caixa. E no novo mundo as caixas são só para mudanças… Rs Rs Rs.
Portanto, ser uma pessoa autêntica é um processo. Mas é incrível porque o mundo precisa de pessoas assim! A humanidade avança por conta das pessoas autênticas e originais e não por causa das pessoas padronizadas. As grandes descobertas se dão graças à ousadia de pensar diferente.
A necessidade de agradar aos outros vem da nossa infância, da necessidade de agradarmos aos nossos pais. Esta necessidade levamos para a vida e isto nos coloca neste estado constante de querer agradar a todos e de querer que todos gostem de nós. O que também se transforma numa carência emocional e com o tempo pode virar dependência emocional.
Então a pergunta cascata agora começa a fazer mais sentido! Para quem nós damos voz? Qual o peso desta voz? Esta opinião me define? Ou esta é apenas a sua opinião sobre mim? A sua projeção sobre as minhas vida? Porque esta voz reverbera? Porque dou tanto valor a esta opinião?
Vou escrever aqui algo que sempre falo para minha filha de 9 anos.
SAIBA QUEM VOCÊ É!
Falo isso todos os dias. E falo para mim também. E falo para todo mundo que trabalha comigo.
Saber quem nós somos é uma grande conquista. Uma libertação. Porque não ficamos vulneráveis a todas as opiniões. Se existe um lugar de segurança que podemos conquistar é esse. Escolher o tamanho que as coisas têm na nossa vida. Escolher o que queremos considerar, o que queremos maximizar e o que queremos minimizar. E podendo perceber neste processo o que colabora ou não com a nossa evolução.
Viver é um grande desafio, não existe roteiro. A vida é uma obra aberta, em construção com miríades de possibilidades e variáveis. Não existe controle sobre tudo, a vida é um constante improvisar e lidar com o que se apresenta. Resistir não é uma escolha. Se adaptar e flexibilizar sim.
O novo mundo está sendo construído por nós, segundo a segundo, escolha a escolha e este novo mundo precisa do nosso talento, das nossas potencialidades, da nossa boa energia, da nossa alegria. Não encontrou sua tribo ainda? Crie uma. Não se sente respeitado? Limite a convivência. Não se sente pertencente aquele grupinho? Não fique tentando agradar. O único caminho é para dentro, o auto conhecimento, dele nasce a auto estima e a auto confiança; Fortalecer isso em nós é o início de muita coisa.
Não dá para construir uma identidade por fora. Mas é assim que somos ensinados no ocidente. Quando fechamos os olhos e meditamos estamos habitando um espaço sagrado, alimentando nosso reino interno, nos cuidando, nos curando e nos reinventando. A meditação é o início do trabalho. É o início do diálogo entre a nossa consciência localizada (Eu) e a Consciência pura (Totalidade).
Para quem você dá voz?
Imagine que você tem um dimmer, um botãozinho regulador de volume. Agora imagine tudo que você já ouviu e ouve a seu respeito. Imagine todas as opiniões e todas as projeções. Imagine quantas pessoas já te deram opiniões mas nunca se interessaram pelos desejos da sua alma. Agora imagine que você tem um dimmer, sim está na sua mão este dimmer, e com ele você tem o poder de aumentar ou de abaixar o volume.
Se precisar, anote num papel ou desenhe. Ou se preferir somente imagine.
Mas faça este exercício e perceba como se sente.
“Tudo que você pode imaginar é real” Pablo Picasso
Espero que este artigo tenha sido útil para você, e tenha certeza de que o novo mundo é colaborativo e não competitivo, o novo mundo é de pessoas encontradas, pessoas que amam o seu trabalho, o novo mundo é de pessoas que estão conscientes do porquê estão aqui na terra neste momento, e o que vieram fazer aqui. O novo mundo é para pessoas que querem lembra-se de si, e não esquecer-se de si.
“Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo” Saramago
Não dá mais tempo para viver a vida que não gostaríamos de viver. É preciso identificar o que está bloqueando o caminho e se tornar consciente. Somos o nosso próprio gerador de energia, somos criadores da nossa realidade, acredite. Somos todos parte de algo maior. Você veio ao mundo para ser você, não se disperse.
Independente de tudo que já tenhamos ouvido…
A voz mais potente que temos está dentro.
A nossa intuição. Ela vem de um lugar muito mais puro do que o Ego
Ela vem do coração.
Esta voz merece um amplificador.
Beijos de Luz
Patricia Carvalho-Oliveira
Imagem: Igor Morski



