
Toda mulher é sobrevivente da sua história. Poderíamos dizer que toda pessoa é sobrevivente da sua história. Mas para as mulheres o Ônus é maior, já que a sociedade está formatada de forma patriarcal. Sim, somos sobreviventes do sistema social que sustentamos e que não nos sustenta. Somos sobreviventes de políticas públicas que agora começam a engatinhar na intenção de corrigir as desigualdades entre homens e mulheres. Sim, sobrevivemos a toda produção de significado de um mundo gerado por mulheres e administrado por homens. (Até à data de hoje não temos notícia de nenhuma outra forma de se chegar a este planeta a não ser através de um ùtero feminino (seja por vias naturais ou via inseminação), a porta de entrada o GATE do planeta TERRA se chama MULHER. Geramos todas as pessoas que estão sob a face da terra hoje e isto ao invés de nos tornar ainda mais valorizadas respeitadas e sagradas, tem efeito reverso. pois nos resume a função reprodutiva, como se fôssemos biologicamente feitas para gerar e como se isso fosse o único propósito da nossa existência. Em torno disso e desta mentalidade as culturas foram se construindo e se apropriando destes Úteros. Sim, o nome do meu novo espetáculo se chama “The WOMB” “O ÙTERO” mulheres são vistas na sociedade machista e patriarcal como úteros reprodutores, casinhas, ninhos que irão gerar e garantir a sobrevivência da espécie. Parece meio estranho falar desta forma mas se olharmos de fora o tamanho da cobrança que a mulher vive para ser mãe (eu nunca me influenciei com esta questão, mas sempre fui uma mulher fora de todos os padrões) a mulher vive a cobrança de se casar e ter filhos, de construir uma família, e de ser bem sucedida na vida afetiva porque se não ela naturalmente é algum tipo de fracasso. Os homens por sua vez se estão solteiros até os 40 anos por exemplo são ótimos partidos (Sempre achei curiosa a expressão bom partido) e se não se casou é porque é seletivo, exigente, ou simplesmente porque precisou de tempo para se dedicar a carreira. O homem não é cobrado na sua função reprodutiva, pelo contrário é aliviado e muitas vezes em famílias onde até as mães (Sim existem mulheres machistas) as próprias mães mantêm vínculos de dependência com os filhos, o cordão umbilical afetivo que nunca se corta, e as próprias mães acreditam que seu filhos queridos não devem se precipitar pois devem aproveitar muito a vida. Como se ter um filho fosse uma forma de cárcere para o mundo masculino, mas fosse uma forma de “Obrigação” ao mundo feminino. Que sociedade poderia resultar de tamanho equívoco? Que sociedade poderia ser a consequência de um formato tão erroneamente padronizado e que não considera indivíduos e seus talentos como algo prioritário para a evolução da humanidade? A evolução do ser humano pelo planeta terra não foi somente uma evolução biológica, e sim uma evolução da consciência. Sim, somos hoje (até onde a ciência alcança) a única espécie que tem consciência e influencia a sua própria evolução – sei que esta é uma afirmação e tanto, mas é verdade, somos a única espécie hoje no planeta terra que pode causar a própria extinção. Mais uma afirmação forte e desconcertante. Mas nem sempre a verdade é agradável, mas ela nos liberta sempre. Não acho que podemos dizer que a nossa civilização se saiu bem na formatação HOMEM E MULHER. Esta mesma formatação criou relações de dominação. Eu mando e você obedece, relações de poder, eu pago e você trabalha, relações humilhantes e opressoras “Manda quem pode, obedece quem precisa”, estas relações não se resumiram somente as relações entre os seres humanos, mas sim na relação de dominação do ser humano com a Terra, com o seu próprio lar. Como o Ser humano não se sente parte da natureza e a vê como algo externo, ele também estabeleceu uma relação de dominação com o planeta. Como se fosse mesmo o dono da Terra e assim pudesse ser abusivo e fazer o que quisesse com ela. Assim como as meninas e mulheres sujeitas aos opressores do Talibã. A terra se submete diariamente a queimadas, a devastação, desmatamento, a exploração de seus recursos, a relação é de abuso, é de poder. Eu extraio o que eu quiser de você e ainda fico surpreso quando um desastre natural acontece. O patriarcado não fere somente as mulheres e meninas do ocidente e do oriente. ( A taxa de abusos sofridos na infância é altíssima, mas até hoje é um tabu falar disso, pois muitas vezes a vítima não é respeitada e sente muita vergonha, como se fosse sua culpa o abuso que sofreu) A taxa de mulheres que já apanhou de seus namorados, maridos, companheiros, parceiros é altíssima, mas ainda é um tabu falar disso pois em vez de serem acolhidas ainda escutam perguntas do tipo “ Mas como você deixou isso acontecer ?” Recentemente escutei de um homem que a sociedade estava degringolada porque as mulheres resolveram trabalhar fora e então as crianças não recebem mais amor e assim cada vez mais o ser humano se deteriora porque não recebe mais aquele amor que recebia das mães porque elas estão sempre ocupadas. Alguém já parou para pensar que esta mesma culpa nunca foi colocada nos homens? Quando um homem dá atenção aos seus filhos ele é um super pai, quando ele faz um pouco pelo filho “Nossa como ele ajuda a mãe” O sistema funciona muito bem e começa cedo. Um dos primeiros presentes de uma menina é uma boneca, rapidamente ela já tem nome e todas as pessoas em volta perguntam “ Qual o nome da sua filha?” Meninas muito pequenas antes mesmo de começarem a se reconhecer como um ser no mundo já estão cuidando de um outro ser, a sua filha, a sua boneca. Os meninos estão lá subindo em árvores, rastejando na areia, tendo experiências sensoriais, enquanto a menina está fazendo comidinha e dando na boca da filha. Sim o sistema funciona bem, e começa cedo (Graças a Deus eu criei minha filha subindo em árvores e andando descalça na natureza) O sistema está condicionado, e viciado no patriarcado e cabe a nós que estamos vivendo a grande transição ( Sim hoje há muita produção de conhecimento e significado sobre isso, muito gente está atenta) cabe a nós fortalecer esta transição e preparar as próximas gerações para o ideal de igualdade entre os gêneros. Não faz absolutamente nenhum sentido um ator protagonista ganhar 3 vezes mais que uma atriz protagonista, não faz nenhum sentido que os homens construam tão rápido seus impérios enquanto as mulheres demorem mais tempo… 1 por serem desvalorizadas no mercado, e 2 porque termina por ser delas a maior responsabilidade que é garantir a sobrevivência da espécie, não é somente o dinheiro que garante a sobrevivência de uma criança, é o cuidar, cuidar é o trabalho invisível e não valorizado no sistema capitalista. Eu tenho exemplos de casais incríveis que se amam e que se completam e que unidos criam seus filhos fora dessa formatação iludida. Conheço casais onde a mulher tem espaço para desenvolver sua profissão, e onde o homem se permite ser pai e assume seu lugar na educação dos filhos. Estes casais que tenho de exemplo, agora me vem à cabeça 3 – C e A, B e L e R e S, Estes três casais que terão aqui suas identidades preservadas descobriram algo fantástico. A mãe boa é a mãe feliz. A mulher que pode se dedicar ao seu trabalho, ao seu propósito de vida tende a ser muito mais feliz do que a mulher que fica exclusivamente dedicada a função de mãe ( A não ser que seja esta a sua escolha ainda assim com certeza esta mulher também tem talentos a oferecer ao mundo), e o homem que se permite assumir o seu papel de pai, e se envolve na educação dos filhos, desenvolve em si uma sensibilidade e um novo mundo que em muito irá contribuir como seu crescimento pessoal, e logo também profissional. Portanto, descobrir novas maneiras de existir fora do condicionamento e fora da formatação faz bem às pessoas, à família e consequentemente à totalidade. Sim porque o mundo precisa evoluir, e o todo evolui através das partes que somos nós. Estamos produzindo significado o tempo todo, e o todas as nossas percepções, são adicionadas “a totalidade. O movimento de expansão da consciência é criativo e coletivo, e somos parte dele. Buscar uma forma de existir fora do condicionamento social (O patriarcado) é usar a sua própria vida para colaborar de forma consciente na evolução. Certa vez ouvi de uma mulher que era necessário ter um homem ao nosso lado, porque isso impunha respeito. Eu tenho 10 anos de maternagem solo e nunca pensei em ter um homem ao meu lado para ter o respeito das pessoas. Até porque este tipo de pessoa que só respeita uma mulher por isso, não é o tipo de pessoa com quem eu tenho interesse de conviver ou de fazer qualquer tipo de parceria. Curiosamente a vida sempre me sinalizou a direção que eu deveria seguir. Os ambientes machistas nunca me tiveram por muito tempo. Sou sobrevivente de um sistema que obviamente não me favorece, mas entendi isso assim que me tornei mãe solo, ou melhor Mãe SOL. Assim como eu existem milhares de mulheres que são sobreviventes das suas histórias. Sim milhares de mulheres que começaram a vida de novo, que saíram de casa com uma mochila, que mudaram de cidade após uma medida protetiva desrespeitada, após se sentirem intimidadas, mulheres que apanharam de seus parceiros ainda com pontos da cirurgia pós parto. Sim, as histórias são arrepiantes e ao mesmo tempo podem ser uma ferramenta de empoderamento. Quando uma mulher sobrevive a algo tão denso e tão decepcionante como alguns dos exemplos acima, ela se torna realmente forte, ela constrói um reino inabalável que é seu reino interno. Quantas mulheres sobreviveram para conseguir criar seus filhos de forma íntegra? Quantas mulheres fizeram o impossível para garantir alimento, educação e segurança às suas crias? Quantas mulheres enfrentaram madrugadas de dúvidas, e mergulharam em prece e oração até que uma boa notícia chegasse no dia seguinte. Neste ponto, mulher alguma olha para os seus sonhos, pois ela está muito ocupada garantindo a sobrevivência. E quando ela consegue, quando ela sobrevive…. aí sim ela pode se permitir sonhar de novo.
Capítulo 2 – A sonhadora
A pirâmide de Maslow. Abraham Maslow teve seu trabalho reconhecido mundialmente e é muito comum encontrar diversas menções a ele em artigos científicos sobre comportamento humano. Parte da sua linha de pensamento está elaborada numa pirâmide que organiza as necessidades do indivíduo começando pelas necessidades básicas de sobrevivência até chegar ao topo e realizar necessidades criativas e de desenvolvimento pessoal.
O primeiro trabalho de uma mulher no planeta terra é sobreviver. Seja ela mãe ou não, ela irá sobreviver a história que teve e que na maioria das vezes a desvalorizou. Depois que ela sobrevive ela pode sonhar. No caso das mães que se dedicam aos seus filhos, depois que elas conseguem respirar, elas podem voltar a sonhar, porque durante muito tempo elas nem se quer podiam dormir…
Os sonhos de uma mulher em geral são adiados porque ela está bastante ocupada alimentando e sustentando o sonho dos outros. E em geral estes outros são pessoas que descobriram formas de dominação. A mulher é socializada para servir e para não criar confusão. Um homem que se posiciona é um homem viril, uma mulher que se posiciona é uma geradora de confusão, uma pessoa difícil. Se posicionar e ser assertivo são características bem destinadas ao universo masculino, e bem descreditadas no universo feminino. Claro, uma mulher que sabe dizer não e coloca limites está impedindo o abuso. E o sistema é formatado para o abuso, para que o trabalho invisível permaneça invisível, para que as mulheres permaneçam dependentes, e para que assim a dominação siga seu curso. Ah mas o mundo mudou… sim com certeza, e hoje já conseguimos nomear os excessos destes abusos “Relação tóxica” “Relações narcisistas”. Hoje conseguimos nomear com mais facilidade o que antes nem nome tinha. É incrível pensar que o patriarcado é uma fórmula que sobreviveu ao passar dos tempos. A não ser que você decida de fato romper com qualquer tipo de estrutura social, ou a não ser que você escolha morar num país já mais evoluído neste sentido, o assunto machismo virá à tona diversas vezes na sua vida. E sim por mais que você ache que tem direitos iguais, você não tem. Se tivesse não existiria o Objetivo 5. “Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas” nos Objetivos para o desenvolvimento sustentável da ONU. Estou sendo radical? Não, estou sendo clara e direta, como eu já disse a verdade incomoda, mas depois ela liberta. Como sobrevivente tenho minha experiência para compartilhar de 10 anos de maternagem solo e muitas saias justas. Minha sorte é que meu trabalho me salvou, como trabalho com mentoria e atendo muitas mulheres, encontrei em mim também falhas na minha auto estima e no meu amor próprio, o que tratei de curar ao longo dos anos. Hoje me amo num grau absurdo, e isso nada tem a ver com egocentrismo, me amo no sentido de me respeitar, de me valorizar, de saber o que mereço viver e de colocar limites nas relações. Sim, Adam Grant, Psicólogo de ambientes corporativos, trabalha com a ideia de Givers and Takers. Doadores e “Sugadores” e ele sempre diz que se você é um Giver trate de colocar limites porque os Takers não tem nenhum. E eu também tenho esta experiência na minha vida, sempre fui uma Giver, sempre amei o meu trabalho e nunca coloquei limites. Como a vida é sábia e encontra seus meios de nos tornar inteiros, veio a minha filha. Costumo dizer que a Valentina veio para me ensinar a viver. Sim depois que fui mãe precisei colocar limites no meu trabalho porque tinha um bebê que precisava de mim. Óbvio que construi uma carreira antes de ser mãe (Fui mãe aos 40 anos) e já tinha um nome forte no mercado quando a Valentina nasceu, então consegui encontrar formas alternativas de trabalhar junto com ela, e muitas pessoas com quem eu trabalhei nunca se incomodaram com o fato de eu estruturar uma possibilidade de estar perto da minha filha e realizar os trabalhos. Foi assim que fiz a preparação de um filme em São Paulo amamentando. Tenho total consciência de que sou uma exceção, mas meu desejo para o futuro é que todas as mulheres que se tornem mães não precisem realizar a escolha cruel de cuidar dos filhos ou continuar suas carreiras. Eu conciliei os dois. E mesmo sendo mãe solo encontrei soluções para todos os desafios que se apresentaram. Sim, no início eu estava na base da pirâmide de Maslow garantindo a nossa sobrevivência, mas depois que dominei o assunto “Maternidade” e fui criativa nas minhas soluções, rapidamente sai desta base e coloquei meus sonhos para girar. Hoje 10 anos depois vejo que minha trajetória foi muito interessante, sou imensamente grata aos desafios que me exigiram saltos quânticos de consciência. vendi meu carro para fazer um mestrado na Índia, aos 23 vendi meu carro para estudar Teatro Físico em Londres, Aos 45 vendi meu carro para fazer mestrado na índia, acho que meus carros me levam bem longe…viram conhecimento! Sei que me tornei uma solucionadora de problemas. Sim, hoje vejo um problema como uma oportunidade criativa e busco na situação desafiadora o ponto de crescimento, a virada de chave. E este ponto existe. A chave está lá. “ Nenhum problema pode ser resolvido no mesmo grau de consciência com que foi criado” Albert Einstein, e é exatamente isso. Então quando um problema chega ele traz em si um componente mágico à nossa transformação. O que aprendi nestes 10 anos é que os nossos sonhos não são algo formatado, ou referenciados no que alguém já fez e já alcançou. Se queremos ter uma vida original e autêntica temos que ter a coragem de cultivar sonhos originais e autênticos, e e é impossível caminhar na direção dos nossos sonhos se ainda não descobrimos o que realmente queremos. “O autoconhecimento é um investimento de retorno infinito” Sempre trago esta frase nos meus treinamentos. O que ensino para as pessoas é o que aplico no meu dia a dia. Busquei me conhecer, ganhar intimidade comigo. Entender os meus sonhos, os meus valores, e assim melhorar as minhas escolhas. Saber o que é realmente importante para nós, nos ajuda nas tomadas de decisão. Hoje trabalho com isso. não só colaboro com a resolução de problemas das pessoas e aumento suas performances na sua vida pessoal e profissional como guio pessoas no seu caminho de autoconhecimento. É aí que começa. Se conhecer é fundamental para saber qual é exatamente o seu sonho. Até que você se conheça e se entenda você vai mirar em territórios conhecidos e talvez em formatos já condicionados. Quando digo que toda mulher é no mínimo 2 a sobrevivente e a sonhadora, é porque só é possível iniciar a jornada da sonhadora quando já se reconheceu no lugar da sobrevivente. Quando já despertamos para o fato de que somos sobreviventes das projeções, dos abusos, das invasões, dos desrespeitos, quando despertamos para o fato de que quando pequenas não fomos acolhidas em nossas questões, ou que talvez não tenhamos sido ouvidas, validadas. Despertar para este fato e perceber o efeito que ele nos causa é uma libertação. A própria busca por um parceiro que nos “Proteja”, muitas mulheres aceitam a opressão de um homem em troca de uma “Proteção” manipuladora. Sim, o sistema funciona muito bem. Mas estamos despertando uma a uma, e todas as vezes que uma mulher desperta a outra ela também se fortalece no seu propósito. Para que possamos sonhar de forma livre precisamos de fato nomear a sobrevivente e dar a ela seu lugar. Acolher, dar colo a nossa sensibilidade, ser sensível é belo, é nobre, é um dom! A sensibilidade é um presente.. Numa sociedade capitalista onde o concreto vale tanto e o sutil muitas vezes passa despercebido, é óbvio que se desvalorizem as mulheres, e seus trabalhos invisíveis. Todos aqueles que criticam o fato das mulheres terem ido buscar seu lugar no mercado de trabalho se esquecem de que fomos sim dizer ao mundo que existimos, visto que todo trabalho que sempre foi realizado pela mulher nunca foi visto, foi ignorado. O sexo frágil….seríamos frageis ou fortes? “Cem homens para fazer um exército e uma mulher para criar um lar…” Seríamos frágeis ou fortes? O Sutil realmente não interessa? Não conta? O sutil, o sensível, é visto como vulnerabilidade, como fragilidade como fraqueza. Um homem que sabe se posicionar é assertivo, uma mulher que sabe se posicionar é uma geradora de confusão. O sistema funciona bem… Cabe a nós mudarmos isso, com classe, com delicadeza e educação. Não precisamos falar grosso para ganhar uma discussão, não precisamos ficar fortes fisicamente, marombadas para dizer ao mundo que tempos o nosso lugar nele. Podemos sim manter a sutileza das nossas curvas, porque precisamos usar um terno para liderar? Porque este é o código…. não podemos usar um vestido e receber o mesmo respeito?
Tenho acompanhado algumas mulheres CEOS na minha mentoria on-line e célebro feliz as pequenas conquistas de tamanho infinito. Ser uma mulher CEO hoje em dia (Ainda mais depois da polêmica envolvendo este assunto) ser uma mulher a frente do seu próprio business é bastante coisa, a cobrança chega de diversos lados… certa vez ouvi de uma tia minha que eu não poderia ser mãe se eu era tão apaixonada pelo meu trabalho… bom aqui estou eu aos 50 anos mãe da Valentina de 10 CEO da LAB4 CHANGE Mentoria on line, trabalhando com neurociência aplicada ao processo criativo, trabalhando com desenho de vida e lifecoach, trabalhando com gente que quer potencializar seu talento, sigo escrevendo, organizando meu tempo para voltar aos palcos, dando aula em escolas, sigo realizando minha missão. E é triste precisar dizer para esta tia que sim eu posso amar o meu trabalho e posso também amar a minha filha. Somos uma família de 2 e tudo bem, o conceito família não é quantidade e nem configuração, e sim qualidade da relação.
Demorei anos para lembrar do que ouvi desta tia… mas ainda bem que me lembrei e me tornei consciente, estas vozes permanecem em nós, e vão influenciar a nossa produção de significado. Se não nos conhecemos, não podemos identificar que somos sobreviventes também de tudo que ouvimos, de tudo que já foi projetado em nós “Mas o seu tio queria tanto te ver apresentando um telejornal” Mas eu nunca quis ser apresentadora de telejornal! . Encontrar nosso lugar no mundo é um processo, uma jornada, uma desvendar diário dos desejos profundos da alma, mas como é lindo ser sincera com a nossa busca. Estar sempre sempre apta a redirecionar o barco se não fizer mais sentido ir naquela direção. Porque tem que fazer sentido, tem que fazer pulsar o coração, tem que ter brilho nos olhos e arrepio no corpo. Tem que fazer sentido a nossa trajetória, é muito bom olhar o passado e ver que fizemos escolhas alinhadas com o que acreditamos, é muito bom saber que o formato não nos cabe então podemos pensar fora da caixa. É muito bom perceber quando ciclos se encerram e quando um vento novo irá soprar e nos apontar o caminho. É muito bom saber que o amor é uma revolução e que “O que é feito no amor é bem feito” Van Gogh. O mundo se tornou quente (arrancaram todas as árvores) ganancioso (As relações se tornaram transnacionais – O que eu posso ganhar com você?, quando as relações deveriam ser afetuosas. O maior vínculo que uma pessoa pode ter com a outra é o vínculo afetivo. “Trabalho é o amor feito visível” Khalil Gibran. O afeto é a cola, é o que dá liga, é o que faz os olhos brilharem. Não pode ser só concreto percebem? É preciso a vida do sutil… As mulheres estarem no mercado de trabalho é o sussurro do sutil chegando no lugar de visibilidade. Se o mundo é medido em `PIB, em estatísticas, se o mundo é medido em aumento da economia (No BUTÂO existem outros medidores, não surpreende ser considerado um dos países mais felizes do mundo) as Mulheres precisam trazer na Liderança Consciente o retorno ao afeto. As empresas precisam de creches, de políticas que abracem e acolham os ciclos femininos. Sim, uma mulher não representa gastos porque ficou grávida, uma mulher que se torna mãe irá de cara aprender habilidades que nenhum workshop irá lhe ensinar. Enquanto o mundo não valorizar as mulheres e seguir polarizando TRABALHO e FAMÍLIA será impossível a integração dos aspectos fundamentais que irão nos evoluir como espécie e que também irão melhorar a nossa relação com o nosso planeta. “O filho é da mãe” Não o filho não é da mãe. É preciso toda uma tribo para educar uma criança. O problema real da nossa sociedade é que os filhos não são da tribo. Os filhos são das mulheres e elas que se resolvam. Este formato deu errado… quantas mulheres ainda estão correndo atrás de pensão alimentícia? Quantos homens conseguem se esquivar mentindo deliberadamente que ganham muito menos do que ganham somente para não dar aos filhos o que é deles de direito? Quantos homens somem, não comparecem às audiências e nem são achados em seus endereços? O Sistema funciona bem para os homens e sobrecarrega as mulheres (Claro que existem exceções). E este fato não permite que as mulheres possam priorizar seus sonhos e possam contribuir criativamente com a sociedade porque destinam uma boa parte das suas vidas cuidando dos seus filhos. A ideia de um mundo mais justo e equilibrado passa por novas reformulações na maneira como enxergamos o trabalho. O futuro do trabalho é bem discutido no mundo. Já existem diversas experiências sobre novas jornadas, sobre trabalhos que são remunerados por resultado e não por horas, no momento em que transformarmos o trabalho e que criamor políticas públicas e corporativas para acolher a maternidade conseguiremos de fato realizar uma transformação e sair do formato condicionado HOMEM TRABALHA E MULHER CUIDA DOS FILHOS, o formato que até hoje algumas pessoas se referem como o formato que dava certo. Mas quantos talentos foram deixados de lado neste formato? Quantas contribuições importantes, quantas palavras não ditas, quantos insights perdidos por conta de não darmos vozes a estas mulheres? Percebem a conexão entre os fatos? Percebem que estamos à beira de uma extinção em massa? Mulheres despertem e coloquem seus sonhos em movimento! O mundo precisa da sua voz! E sim pela minha experiência com mentoria para mulheres assim que uma mulher desperta e começa a caminhar na direção dos seus sonhos, milhões de situações acontecem para que ela se disperse e nao consiga se dedicar ao seu propósito, sim porque nós nos acostumamos a servir, e a colocar os outros em primeiro lugar, mas com um treino constante e diário a gente aprende a fortalecer a nossa auto estima e nosso amor próprio, com treino a gente aprende a colocar limites, como treino a gente aprende a se valorizar e a acreditar sim no nosso potencial. O mundo novo está nascendo, estamos todas grávidas. E precisamos sim do suporte dos homens (Dos homens já integrados no seu machismo) para nos ajudar a criar este novo mundo. A integração é a palavra chave. A polarização não nos levará a lugar algum. Sonho com um mundo onde os homens não tenham o direito de serem omissos com seus filhos, onde as mulheres sejam respeitadas pelo sagrado que representam e onde possamos enfim olhar para as crianças como o futuro, e assim respeitá-las de verdade com uma educação consciente e criativa, mas para isso precisamos de seres inspirados na guiança; A mãe boa é a mãe feliz…
Para todas as mulheres sobreviventes:
“As sobreviventes dão tanto valor a vida que amam com profundidade peculiar”
Vamos seguir amando e acreditando no amor como revolução
Mas vamos nos lembrar de
“Merecer o amor que compartilhamos”
Merecemos a felicidade, a inteireza e a alegria.
Hoje no dia internacional das meninas, publico este artigo porque em breve todas as meninas serão mulheres, desejo que todas se conheçam, descubram seus sonhos e possam realizá-los. E desejo que num futuro próximo possamos construir uma sociedade que entenda que as crianças são a continuidade… todos somos responsáveis.
Com amor
Patricia Carvalho-Oliveira



