Que lugar é este em que vivemos, em que o esforço vale, mas não vale a fluidez? Qual é a crença que nos faz repetir o padrão tão reproduzido nos ditados populares, nos folhetins e nas histórias sofridas de um bom drama? Porque temos culpa quando algo vem de forma fluida e prazerosa? Porque temos dificuldade de acreditar quando algo de bom nos acontece? Mais uma vez vamos falar um pouco do nosso amigo “Brain”, o Cérebro… No artigo que escrevi antes deste sobre meditação, expliquei um pouco sobre como funciona o nosso “Device”, o nosso órgão complexo e apaixonante. Não é à toa que a palavra Neuro hoje anda acompanhada de outras super importantes… Neuroeducação, Neuropsicopedagogia… Entender os nossos mecanismos cerebrais nos ajuda e muito. No trabalho de Mentoria e Lifecoach que realizo, costumo dizer que sou além de uma curiosa detetive tentando encontrar pistas sobre o “Caso”, digo também que sou a “Fisherwoman”, sou a “pescadora” das redes neurais. Fico ali com uma escuta afetiva e também atenta até que um peixe “morda” a isca, até que uma rede neural se revele em forma de crença. É uma delícia o momento do insight! Celebrado em conjunto por mim e o(a) Coachee. O insight não é meu, é nosso, porque só é possível que ele aconteça quando estamos em ressonância, na mesma frequência. E quando estamos…Voilá! A mágica acontece! Através do discurso e também de reações corporais e faciais a rede neural se revela, aparece, e assim percebemos a crença, ou melhor sua raiz, de onde ela vem. Tenho observado ao longo dos anos, nas diferentes demandas que recebo, (transição de carreira, propósito de vida, gerenciamento de emoções, empoderamento pessoal, gestão de tempo) tenho observado que a tendência ao negativo é muito forte. E ao mesmo tempo quando uma pessoa recebe uma boa notícia seja sobre um trabalho, seja uma auto observação (Percebi a raiva chegando e não explodi) seja completar uma etapa (Finalizar um curso), ou a chegada de uma pessoa incrível que pode se transformar num amor… a maioria das pessoas tem dificuldade de celebrar, de se sentir merecedora do que é Bom. É como se não acreditasse que realmente recebeu um presente…Há uma explicação para isso. Tendemos a notar o negativo mais que o positivo. E Porque isso acontece? Temos uma herança biológica dos nossos ancestrais, uma herança a qual devemos ser gratos porque garantiu a nossa sobrevivência e a nossa continuidade como espécie, esta herança é praticamente um “radar” feito para detectar situações de perigo, situações ameaçadoras, você já deve ter ouvido falar deste mecanismo chamado “Fight” or “Flight”, lutar ou fugir que é acionado toda vez que nos sentimos em perigo. Então devemos expressar nossa gratidão a este mecanismo, mas agora já podemos começar a usar o nosso cérebro de forma mais inteligente, de forma mais criativa. Na verdade esta herança tem sua utilidade numa situação de emergência onde precisamos agir. Segundo o Dr. Bruce Lipton não fomos programados para viver tanto tempo neste tipo de resposta Flight or FIght. E o mais interessante segundo Dr. Lipton é que o coração bombeia sangue para o nosso corpo todo em condições normais, e isso garante o bom funcionamento da nossa saúde. Mas no “Modo” Fight or Flight o sangue vem todo para as extremidades, braços e pernas, porque vamos lutar ou vamos fugir. Viver em estado de stress constante seria estar a um passo de desenvolver uma doença crônica. E por que refletir sobre isso? Porque não fomos feitos para viver reagindo a tudo e a todos, não fomos feitos para viver sob pressão. Criamos uma sociedade que acredita que colocar pressão é bom, desde o sistema educacional até a forma como definimos o conceito “trabalho”. E isto também alimenta a crença de que as conquistas tem que ser sofridas, de que para merecer algo de bom temos que nos esforçar bastante para isso. O “radar” para o negativo, que nos faz guardar mais o negativo do que o positivo gera a nossa tendência a reclamar mais do que agradecer, a ver o que foi ruim e não validar o que foi bom. A tendência a falar das coisas negativas e não honrar as positivas. Também podemos incluir aqui a tendência a dramatizar situações, se vendo como vítima, contando com a participação ativa do EGO. (Vitimização também é uma forma de ação do EGO). Mas como transformar isso? Como escapar do drama? Não será da noite para o dia. Mas existe a possibilidade de caminhar nesta direção. “Não existe atalho, existe escolha” (Frase do meu próximo livro). Para isso, o trabalho constante de autoconhecimento. Podemos ir passo a passo caminhando para um novo lugar. Podemos 1- Nos tornar conscientes e identificar de onde o drama vem (Temos essa herança ancestral e temos também a influência direta da maneira como fomos criados. Até os 7 anos fazemos “Downloads” automáticos sem nenhum filtro. Ou seja, se fomos criados até os 7 anos com medo de tudo e de todos, é provável que este medo se manifeste também na nossa fase adulta. 2- Fazer o exercício de reforçar o positivo todos os dias. Trazendo uma nova “lente” para perceber e celebrar o lado bom da vida. (Isso não é papo de autoajuda, mas sim uma proposta de mudança de percepção) 3- Observar quando este mecanismo é ativado, dar uma pausa e focar na respiração, lenta e consciente. A respiração traduz nosso estado interno, respirar de forma lenta e consciente impede a aceleração que o estado reativo traz. 4- Iniciar o nosso diálogo com a vida. (Aqui começa a virada de chave, porque aqui entra a percepção da vida como uma parceira nossa, e não como uma batalha que temos que vencer todos os dias… aqui começa a chegada da fluidez… dançar junto com a existência…aceitando o que chega e decidindo qual o significado queremos dar aos fatos, entendendo a vida como um grande organismo vivo do qual fazemos parte. E se o movimento é evolutivo e criativo porque a vida jogaria contra si mesma? Porque a vida prepararia algo estranho para nós? Se somos parte deste movimento evolutivo, tudo que nos acontece, absolutamente tudo que nos acontece pode ser visto como um aprendizado, uma etapa para o nosso crescimento, se decidirmos dar este significado. Até o que parece num primeiro momento algo estranho, ali mais na frente pode ser percebido como uma pecinha da engrenagem do que estava por vir. Então a sabedoria pode ser esta, nos tornarmos cada vez melhores nos significados que damos ao que acontece. Neste lugar somos absolutamente livres, absolutamente criativos, e absolutamente criadores de realidade. Neste lugar eu escolho qual significado dar ao fato. Se não tenho controle externo, posso ser o autor da minha história e decidir o significado interno que quero dar, como quero representar isso para mim. A tendência a dar significados negativos ainda está impregnada em nós, então é preciso treinar, exercitar (como exercitar um músculo), diariamente o olhar positivo. A vida fica muito mais interessante assim… Se tornar consciente do drama é um passo incrível, me lembro do filme “HER” “ELa” com Joaquin Phoenix e Scarlett Johansson (que no filme é uma assistente virtual do tipo Siri) Ela diz a inesquecível frase “The past is just a story we tell ourselves” “O passado é apenas uma história que nós contamos”, e não é exatamente isso? O tempo todo estamos criando uma narrativa sobre a nossa vida, não só sobre o passado mas também sobre tudo que está nos acontecendo agora. Existir é dar significado. Duas pessoas vivem a mesma história, mas cada pessoa dá um significado diferente a história que viveu. Somos um “Infinito Particular” (parafraseando Marisa Monte), mas ainda assim há algo de coletivo em nós, que ainda nos faz tender mais ao negativo do que ao positivo. Seríamos então vítimas desta herança ancestral e estaríamos destinados ao sofrimento? Digo inspiradamente que não. E este é o objetivo deste artigo, compartilhar informações que podem ser preciosas para este movimento. Assisto constantemente no meu trabalho aos lindos saltos que as pessoas dão em suas vidas quando conseguem desativar um pouco o Límbico e entrar num novo estado, num estado de criatividade (Cérebro no modo sincronístico) e aprendem a confiar na vida. Iniciar este diálogo com a existência é nos perceber como parte inteira, ativa, e essencial. Quando começamos a nos relacionar com esta força mágica tudo muda. Podemos chamar de força mágica, de fluxo da vida, ou de sincronicidade e coincidência.
“Coincidência é a maneira que Deus encontrou para permanecer no anonimato.”
Einstein.
Como ativar esta força mágica na nossa vida a ponto de vivenciarmos cada vez mais coincidências? A coincidência é algo que quanto mais notamos a sua presença mais ela acontece. E quando ela acontece devemos dar a ela um significado. Neste lugar nós somos criadores, lembra? Então qual o nosso papel nisso tudo? Escolher…escolher conscientemente os significados… e quanto mais vamos percebendo e dando significados às coincidências na nossa vida, mais a vida vai fluindo, mais coisas incríveis e inesperadas começam a acontecer, porque semelhante atrai semelhante esta é a lei. Se você usa seu cérebro de forma não-local, sendo criativo, desejando viver em fluxo, estando presente e aberto para o que a vida te oferece, e se semelhante atrai semelhante, você estaria vibrando mais na sincronicidade e menos na reatividade… BE CREATIVE AND NOT REACTIVE, uma frase que também está no meu próximo livro, Seja criativo e não reativo. Demoramos a acreditar que merecemos as coisas boas da vida porque temos esta tendência ao negativo… depois que entendemos isso podemos começar a nos trabalhar em outra direção, no início ainda nos sentiremos meio “artificiais” pensando “alguma coisa desagradável aconteceu e eu estou buscando um significado positivo? Até parece que existe um pote de ouro no final do arco-íris…conta outra”, mas depois de um tempo vamos percebendo que na verdade nós nunca temos controle total de nada, as coisas foram acontecendo, misto do que nós queríamos e misto de uma série de coincidências que foram apontando o caminho. Se fizermos o exercício de assistir a nossa vida como um filme vamos perceber o papel que a coincidência ocupa, mesmo sem ganhar o crédito de atriz principal. Charles Eisenstein, uma das mentes mais brilhantes da nossa atualidade, diz que quando queremos ter controle de tudo não estamos deixando nenhum espaço para a sincronicidade agir. Eu costumo dizer que somos uma equipe: a vida e eu. Não faço nada sozinha. Claro que às vezes a vida apresenta situações que por um minuto chego a pensar: “Poxa eu precisava de mais essa?Jura?” mas logo ali na frente virando a página percebo que está tudo certo. O mistério que a vida propõe é parte do jogo, parte de “LILA” o grande jogo da existência. E cada vez mais vivo no estado de confiança, eu não preciso saber de tudo, eu não preciso explicar tudo o tempo todo, eu só preciso confiar que tudo vai dar certo, porque estamos aqui como representações de uma mesma consciência que está evoluindo através de nós. Somos parte ativa deste movimento. Então a verdadeira conexão é com este movimento. Como diz o incrível Cientista Nassim Haramein “Você é o universo olhando para ele mesmo e aprendendo com si prórpio”. Não existe separação entre nós e a totalidade. Apenas integração. Então precisamos aprender a nos comunicar com o universo, aprender a sua linguagem, aprender a sua fluidez… porque se você olhar a chuva caindo, ou o desabrochar de uma flor, ou o canto dos pássaros… quanta harmonia existe… nós também podemos aprender a existir nesta harmonia… e somos merecedores da felicidade, somos merecedores de tudo que existe de melhor… o que não significa que não teremos desafios ou questões a serem resolvidas… mas aqui entra um pouco a questão da intenção… se temos a intenção pura de viver em alinhamento, se observamos o nascimento das nossas intenções, se conscientemente nos perguntamos diariamente o que nos move, o que nos motiva, e se seguimos com desejos puros nascidos no coração, estaremos na direção deste movimento evolutivo e criativo. O coração também é uma chave importante. Porque nós temos um “Pequeno Cérebro” no coração, que já está provado cientificamente, este “Mini-Brain” na verdade tem um poder absurdo, mas ainda o usamos pouco. As mães usam este poder sem saber. “Beijo de mãe cura tudo” E cura! Por que? Porque a intenção nasce do coração, nasce desse amor lindo da mãe pelo filho. E assim acontecem também coisas mágicas na nossa vida quando intencionamos algo puro, quando temos um desejo que nasce no coração. Parece um pouco místico pensar assim? Mas imagine que o campo eletromagnético do coração é 60 vezes maior do que o campo eletromagnético do cérebro (Falo mais sobre isso no artigo sobre o amor como revolução) imagine o poder de uma intenção nascida no coração? Imagine o poder de uma intenção nascida nesta sede de amor e neste local que nos leva automaticamente para a uma expansão de consciência, porque quando eu aprendo a trabalhar o meu chakra cardíaco eu aprendo a incluir o outro, eu expando a minha consciência, eu aprendo a me relacionar com a vida como uma grande teia de acontecimentos interdependentes. Então não estaria no coração uma saída? Não estaria na cognição com o coração uma possibilidade de perceber a realidade sem este radar para o negativo? Poderíamos treinar esta forma de perceber a vida a partir do coração? Seriam as crianças um bom exemplo disso já que os primeiros anos de vida da criança são tão mágicos e cheios de harmonia, a criança vive em Fluxo, vive em encantamento pela vida, a criança não vive com radar para o negativo, Um criança entra num jardim e nota a flor, a borboleta, e não a cobra que pode estar ali no mato… Seriam as crianças os nossos mestres na nova forma de cognição? Na nova forma de perceber a vida? Sem tanta tendência ao negativo? Estariam as crianças mais perto da fonte? Este é o tema do artigo que escrevi sobre parentalidade e nova ciência, sobre as crianças serem o nosso portal para a iluminação. Mas aqui neste quero deixar estas sementes, da importância de alinharmos o nosso cérebro com o nosso coração. Já percebeu que quando temos contato com a Arte este novo tipo de cognição acontece? Já percebeu que quando você assiste a uma performance que te toca emocionalmente você muitas vezes não consegue explicar na hora o que sentiu? Você fica tentando nomear, na verdade você percebeu, e recebeu com o coração, e seu cérebro está tentando dar o significado. Há muitos mistérios a serem desvendados nesta conexão cérebro coração, mas o Pequeno Cérebro descoberto no coração abre um novo campo de possibilidades, o Instituto Heart Math realiza pesquisas sensacionais nesta área há alguns anos. Acho que precisamos aprender a conhecer melhor o nosso coração e aprender a confiar nele. Talvez ele também nos indique muitas vezes o caminho, mas nossa percepção fique ainda “presa” no radar negativo que o cérebro ativa. De qualquer maneira a felicidade não é um pódium a ser subido, ou estrelinhas no caderno, ou medalhas…ou troféus e títulos… a felicidade é um movimento, é viver uma vida que seja coerente e que traduza a nossa essência. A sensação de que estamos vivendo a nossa vida experienciando todo nosso potencial é uma sensação incrível. Cada vez mais percebo os pequenos momentos em que tudo faz sentido… como o mantra que estou ouvindo agora, e a brisa que vem do mar enquanto finalizo este artigo, enquanto escuto minha filha cantar na piscina “Eu desejo ter uma cauda de sereia…” A felicidade mora nestes momentos mágicos, e mora também no nosso senso de propósito, na nossa sensação de pertencimento a algo maior, na nossa sensação de com a nossa vida e com as nossas escolhas estar fazendo a diferença no mundo. Podemos treinar diariamente para que estes sentimentos positivos estejam mais presentes do que os negativos. Podemos começar pelo significado que escolhemos dar ao que nos acontece, é um bom início, porque assim minimizamos as percepções negativas da vida. No momento em que encontramos um significado positivo, mudamos a narrativa da história. Deixamos de ser vítimas do que aconteceu, e passamos a ser autores. De vítimas a Autores! Olha que incrível! Estamos aqui para sermos felizes e manifestarmos novas versões da consciência… que está se experienciando através de nós… nada pode ser descartado, invalidado, subestimado… tudo está contribuindo o tempo todo para este movimento. E quanto mais significados positivos começamos a dar, mais a vida começa a florir… semelhante atrai semelhante esta é a lei… boas notícias começam a chegar, coincidências começam a acontecer, o universo entende a nossa frequência e começa a dar o “Match” nela, como? Orquestrando situações, fazendo fluir a nossa caminhada. Precisamos nos sentir merecedores, precisamos receber as boas notícias, precisamos perceber que a fluidez é uma indicação de que estamos na direção certa. E que o esforço desgastante e constante indica que aquele não é o caminho. Obviamente há momentos em que precisamos nos dedicar a algo e perseverar. Mas a fluidez é um lindo sinal de que o caminho está sendo percorrido em parceria com a vida, de mãos dadas com a vida.
“MInha vida será Sagrada
se eu a tratar assim
Confio na vida
e Ela confia em mim”
Desejo a você todo amor do mundo, e todas as boas notícias do mundo, porque você merece! Nós merecemos! Acredite!





