‘

De alguns anos para cá a felicidade se tornou o tema de muitas pesquisas científicas. Estamos num momento especialmente fértil onde a Ciência se aproxima cada vez mais da psicologia para que juntas possam decifrar pistas do quebra-cabeça-junta-coração que somos nós. Institutos no mundo todo mantêm a felicidade no alvo, e as descobertas são surpreendentes. Heartmath institute de Dr. Childre, Resonance Science Foundation de Dr. Nassim Haramein, Neurocientistas como Dr. Joe Dispenza e David Eagleman, o pai da Epigenética Dr. Bruce Lipton, e no campo da psicologia e psiquiatria Abraham Maslow e David Hawkings trazem contribuições relevantes para um olhar do ser humano como um ser integral, autor da sua própria história de vida. A felicidade também se tornou protagonista na área cultural, muitos filmes e documentários foram feitos com este tema. Happiness (Um documentário com vários depoimentos), O caminho da felicidade (Com o Monge Matthieu Ricard ), A felicidade das pequenas coisas (Mais recente filmado no Butão) uma lindeza…
Mas porque tanta produção de significado em cima do conceito “FELICIDADE”? Sonja Lyubomirsky da Universidade da Califórnia escreveu o livro “Os mitos da Felicidade” que foi um livro revelador para mim. Eu me considero uma pesquisadora da consciência com foco principal em criatividade. Minha vida é a prática constante da minha pesquisa, seja através da maternagem criativa, (me tornei mãe solo da noite para o dia) ou através do meu trabalho de coach artístico e life coach, ou através do meu fazer artístico, escrita, poesia e performances. O que vejo na minha vida pessoal e profissional me deixam sempre muito inspirada. Acredito no ser humano, acredito no potencial do ser humano de se transformar, de superar adversidades e caminhar para uma vida mais feliz. Também observo através da minha prática, que é preciso se “despir” de alguns padrões para que possamos encontrar a nossa felicidade. Com certeza o que é felicidade para mim não é o mesmo do que é felicidade para você, e com mais certeza ainda, a felicidade também não está na busca de um ideal de perfeição como os exibidos num comercial de margarina. Mas então por onde começar?
“Você pode ir bem longe se começar bem perto e o mais perto é você mesmo” Krishnamurti. Gosto muito desta frase, já fiz alguns posts no meu instagram com esta legenda… sim nunca me canso dela. Curioso como num mundo tão descartável existem algumas coisas das quais nunca nos cansamos… estas são as coisas que tocam o nosso coração, as coisas nas quais identificamos uma verdade, uma essência, algo tão raro em tempos de Fake News… sim o mundo pode ser Fake, e pode ser também um lugar incrível para estarmos e para termos experiências significativas. A escolha é nossa. Simples assim? Sim… Na minha percepção e experiência profissional sim, simples assim. O único poder que temos é o poder de escolher COMO queremos viver, COMO queremos passar pelo que se apresenta. Muitas vezes não temos escolhas da paisagem externa, mas podemos escolher a paisagem interna, como vamos representar o que aconteceu dentro de nós. Neste lugar somos absurdamente criadores, e absurdamente protagonistas da nossa vida. E a felicidade passa por aí… ela não é um destino, um lugar a chegar, mas um constante escolher COMO perceber, como se relacionar com a vida e com o que se apresenta. Presencio histórias incríveis de pessoas que mudaram suas vidas a partir de uma mudança de percepção. Pessoas que superaram adversidades (incluo aqui minha própria história) e que a partir de uma percepção mais positiva da vida transformaram para melhor sua existência. Mas como superar as adversidades se quando estamos no meio do turbilhão estamos como a nossa auto estima abalada, estamos sob pressão, (o cérebro estressado toma decisões ruins) e temos a sensação de que nada dá certo? O primeiro passo para mudarmos alguma coisa é nos tornarmos conscientes do que queremos mudar.
Sempre penso que o amor próprio é uma parte muito importante do processo, porque sem amor próprio não temos auto estima suficiente para nos sentirmos motivados a entrar num processo de transformação. O Life Coach (que muita gente me pergunta curiosamente como funciona) é um processo prático onde ferramentas são apresentadas e colocadas em treinamento para que você saia do lugar onde você está hoje, e possa iniciar a sua caminhada para um lugar mais interessante. E tudo é feito de maneira clara, verbalizada e no meu trabalho o corpo participa do processo. O corpo retém energia e armazena tanta coisa. Aprender a trabalhar como o corpo é uma libertação de sentimentos e emoções retidas e de muitas coisas que havíamos guardado e nem nos dávamos conta, e principalmente do nosso condicionamento. Começar por si mesmo como diz Krishnamurti é começar a olhar para você. Algo tão difícil se você é mãe full time, ou se você é um workaholic, ou se você é um dependente afetivo (depender das relações para estar bem) ou se você é uma pessoa que sempre está se ocupando em cuidar dos outros, e esquece de cuidar de si. Então como diz Krishnamurti, o mais perto é você mesmo. Começar a se olhar e a se observar é o início da nossa revolução. É curioso porque no meu trabalho de preparação de atores eu tenho um exercício no qual trabalhamos a nossa relação como o nosso observador como o nosso melhor amigo, e com a ideia de que o observador nos ajuda e sempre nos dá feedbacks construtivos de como estamos nos comportando. Ao mesmo tempo em que a pergunta “Como você se sente? Como você está se sentindo? Sempre permeia as minhas investigações, porque para mim o termômetro é sempre este, sentir, como você se sentiu em relação a isso que aconteceu, como você se sente em relação a esta situação? O que o seu corpo diz quando você se encontra com esta pessoa? O que o seu corpo diz quando você está nesta cidade? Se começarmos a nos observar, tem tanta coisa que a gente sente e nem verbaliza, e nem coloca numa frase… um exercício simples escolher uma palavra para o nosso dia, (faço isso sempre com a minha filha, temos uma lousa na nossa varanda que ganha uma palavra a cada dia) escolher uma frase para uma situação, escolher o nome do episódio para aquele dia cheio… Todos estes exercícios criativos (que são a combinação da minha artista com a minha cientista) servem para ir nos organizando interna e externamente.
Pense num armário de roupas bagunçado. Toda vez que você vai sair de casa você fica procurando aquela blusa que você adora no meio da bagunça… isto toma um tempo enorme. A mesma coisa acontece com as nossas emoções e sentimentos. Se vivemos com o nosso armário interno bagunçado, toda vez que precisamos de uma emoção ou de ativar um sentimento, ele vem “embolado” com uma porção de outras coisas, como uma calça que você pega e ela vem enrolada com um casaco. Você escolheu usar a calça e não o casaco, mas eles estão embolados. Aí você ama uma pessoa mas compete com ela, ou morre de ciúmes dela… o amor vem junto com outras coisas… A gente funciona assim… então arrumar o armário interno é o primeiro passo. Colocar as coisas nos seus devidos lugares. Como me sinto em relação ao meu trabalho, como me sinto em relação à minha família, como me sinto naquela amizade, como me sinto com aquela pessoa que fala coisas para mim e eu não consigo responder… me sinto numa relação tóxica? Como me posiciono? No momento em que eu me posiciono, no momento em que eu mudo, tudo em volta de mim muda também. E aos poucos começa a vir uma paz, a paz de ser cada vez mais próximo de si mesmo… a paz de estar vivenciando cada vez mais a nossa essência, a paz de ter uma vida mais próxima do que acreditamos e mais alinhada com os nossos valores de vida. Ao descobrir os nossos valores de vida, o que é realmente importante para nós, podemos ir caminhando na direção da nossa felicidade, e perceber que a felicidade não é uma busca frenética, mas sim, a felicidade está em apreciar e contemplar a caminhada. Estar presente é a grande chave… pois quando estou presente nada me falta. E a meditação nos ajuda neste processo, a viver mais no presente e a ser menos ansioso. “O destino é só o pretexto, o que importante é a viagem”. O processo é mais importante do que o resultado. Isto em tudo na vida.
O meu mestrado, fui buscar o diploma, o certificado, mas o processo dos 3 anos que me dediquei a ele, e todos os insights que tive, e todas as mudanças que fiz na minha vida, são muito mais importantes do que um pedaço de papel, embora para a sociedade o papel seja importante, ok, eu vivo no mundo e não fora dele, então sim, eu fui buscar o meu diploma mas com a consciência de que o processo foi a grande conquista. Quando digo que o que é felicidade para mim é bem diferente do que é felicidade para você, é porque conheço pessoas que jamais venderiam um carro para pagar um mestrado. E tudo bem. A diferença nos nutre. A diversidade nos faz crescer. Vivemos num universo criativo, participativo e diverso. E podemos expandir nossa consciência a partir das trocas que temos com esta diversidade. Eu por exemplo, me mudei para a Bahia por conta de um convite de trabalho numa escola dentro de uma ecovila, foram 4 meses morando numa ecovila, aprendi muito sobre o que eu queria e o que eu não queria viver, mesmo tendo a sustentabilidade como um valor importante para mim.
Me mudei para Barra Grande, um lugar que chamo de “A pequena vila dos grandes afetos”. Um lugar turístico, nunca imaginei morar num lugar turístico, mas me abri para esta ideia já que conviver com a diversidade é algo que sempre fez parte de mim, visto que passei boa parte da minha vida viajando e também fazendo trabalho social. Quando a gente começa a se conhecer um pouco, as nossas escolhas vão sendo alinhadas com o que consideramos importante. Moro hoje num lugar turístico, tenho amigos tão diferentes entre si, e mais os amigos do Rio, São Paulo e Minas. Trabalho on-line ( A pandemia me ensinou que meu trabalho funciona on-line). Minha filha brinca na Vila, fazemos tudo a pé… uma qualidade de vida incrível. Desenhei uma nova vida para mim, e confesso que hoje me sinto em paz com minhas escolhas, e vejo na paz a semente da felicidade. Sabe aquela música “Você não sabe o quanto eu caminhei para chegar até aqui…” foi um belo caminho de autoconhecimento e descobertas e constante arrumação do armário interno, que se deixar, fica bagunçado como um armário de roupas. Vejo no autoconhecimento um investimento de retorno infinito, pois se vamos levar algo desta vida, vamos levar algo que fomos capazes de aprender, experiências adquiridas, amores trocados, conhecimentos compartilhados… o que vamos levar daqui no dia em que transcendemos para os próximos planos da existência? Não levaremos nada material, no entanto vivemos num mundo que é material. Não é preciso negar a matéria para ter uma vida que valoriza o sutil, o emocional e o espiritual. É possível encontrar um caminho do meio como dizia Buda. É possível entender que vivemos na matéria, precisamos concretizar as coisas, materializar sonhos, manifestar intenções, realizar projetos, assinar contratos, escrever acordos, receber pelo nosso trabalho. Vivemos na matéria, mas somos seres espirituais tendo uma experiência humana, como diz Teilhard de Chardin. Há muito tempo que decidi não ver mais isso como uma contradição, mas como uma complementação. Quando comecei a ver os opostos como complementares comecei a mudar minha vida. Entender que trabalho com o sutil mas que inspiro transformações concretas nas pessoas expandiu minha consciência sobre o meu trabalho. Somos humanos, não somos perfeitos, somos contraditórios, vamos errar muitas vezes e acertar muitas vezes. Estamos em movimento, em processo, estamos na caminhada… e a consciência de si mesmo e do que estamos experienciando, a consciência de como estamos percebendo o externo, a consciência do significado que estamos dando ao que nos acontece, a consciência de que paisagem estamos pintando dentro de nós, a consciência da energia que compartilhamos, a consciência do nosso propósito de vida, tudo isso faz florir a nossa existência, começamos a buscar uma vida nutritiva em todos os aspectos, e não só uma vida de prazeres momentâneos (Como o nosso cérebro adora, porque temos o mecanismo de compensação “Reward system”)
Transitar de uma vida baseada somente nos prazeres momentâneos (tão bem vendidos por um sistema que visa nos alienar, porque assim podemos consumir cada vez mais) e focar em um desenho de vida que seja nutritivo, uma vida que faça sentido, é o início da nossa transformação. Só aplico nas pessoas o que eu já apliquei e vivencio em mim. Tenho uma escuta neutra, uma escuta atenta, para não emoldurar o que escuto de uma outra pessoa dentro dos meus valores, sendo que o Ser não se esquece de si, sempre nos levamos junto. Mas o trabalho é receber a demanda de quem me procura e guiar esta pessoa pelo caminho do autoconhecimento para que ao se perceber, e ao ter consciência do que precisa e quer mudar, a pessoa inicie sua caminhada. Eu sou muito feliz com o que venho co-criando. Vejo que as pessoas querem sim fazer as pazes com o seu passado, para viver inteiramente no presente, e eu sempre faço esta proposta, honre, se orgulhe da sua história de vida, da sua biografia humana, e deixe o passado no lugar dele (olha o armário arrumadinho) você não vive lá, o passado é apenas um livro de consultas, para você saber a conta que você consegue pagar e a conta que você não consegue pagar. Analisando meu passado consigo perceber o que eu quero e o que eu não quero mais viver. Somos tanta coisa, temos tantas possibilidades… Fazer as pazes como o nosso passado é fazer as pazes com uma parte da nossa vida, é abraçar tudo que nós somos, para se tornar leve e inteiro no presente. “Coração leve para voar, não arrasta mágoas” já dizia a poeta P.C-O… Então pessoas queridas o caminho é único, pessoal e intransferível. A felicidade existe como um pote no final de um arco íris? Esta linda imagem infantil nos lembra que magia existe, e nos lembra que depois da chuva vem o arco íris., independente do que você tenha passado na sua vida, você não é uma vítima, e sim, você é autor da sua história. Criador de realidade, desenhista do seu futuro. Comece de onde você está, com tudo que você é hoje, se ame, se abrace, se acolha. É preciso auto estima e amor próprio para se olhar no espelho e identificar coisas… Nós somos o que nós somos agora, uma frase que sempre me dá colo. E com amor sempre, nunca com crítica, sempre com observador, nunca com crítica, a crítica nos diz coisas nocivas, e muitas vezes nos impede de sonhar, nos impede de ousar, nos impede de caminhar. Mande sua crítica embora (outro exercício que aplico no Método Lupa) e convide o seu observador e a sua criatividade! A vida vai começar a sorrir para você, quando você começar a sorrir para ela.
“Sabe o que você é? Você é um rascunho de uma carta divina.
Você é um espelho que reflete um rosto nobre.
Este universo não está fora de você.
Olhe para dentro de si mesmo; tudo o que você quiser, você já é. ”
Rumi
Beijos de Luz!
Patricia Carvalho-Oliveira
Ilhéus 05.05/ Barra Grande 13/05 – Bahia



