Como você se sente? Como você se sente no mundo de hoje?
Vou iniciar este artigo com uma pergunta, porque a intenção dele é gerar reflexões.
Somos invadidos por milhões de informações especialmente se permitimos que nosso dedo indicador fique passeando sobre a tela do nosso celular. Viver se tornou um bombardeio de estímulos? Em parte sim, se não estivermos conscientes e se não criarmos uma disciplina para lidar com a tecnologia. Somos convidadas segundo a segundo a nos desconectar de nós mesmas. É um desafio cultivar nosso reino interno numa sociedade que visa intencionalmente nos dispersar. “A atenção é a forma mais rara de generosidade” “A energia flui para onde você coloca a sua atenção”. Não é à toa que Milhões e Milhões de dólares são gastos em mecanismos de marketing para atrair a nossa atenção. Mas o que fazemos com tudo isso? Com esta quantidade de informação?
Qualquer pergunta que você precise responder basta ir a uma plataforma de busca e num click você tem várias respostas. Então vivemos num paraíso? Vivemos com o poder de um click! Um click para comprar algo, um click para saber uma resposta, um click para uma pesquisa… O que nos diferencia da Inteligência Artificial? Mais uma pergunta polêmica que mais a frente irá se conectar com a primeira deste artigo…
No momento em que a humanidade desenvolve robôs que podem criar designs sofisticados e “Competir” com a criatividade humana (segundo pesquisas), as questões existenciais se tornam preciosas.
Como Mãe, Artista, Mentora, Terapeuta Integrativa e PAS, Pessoa Altamente Sensível (Termo desenvolvido pela PHD Elaine N. Aron) percebo que estamos sendo treinadas para uma dessensibilização. E este treinamento está começando na infância, se fortalecendo na adolescência e se concretizando totalmente na fase adulta. Até que na crise da meia idade o ser humano um dia desperta e começa a se fazer as perguntas importantes como “Quem sou eu, o que estou fazendo aqui, para onde estou indo?” No meu trabalho de Mentoria chamo estas perguntas, de “Perguntas que vão nos levar além”. Estas são perguntas que deveriam nos acompanhar durante toda a nossa vida, se assim fosse não precisaríamos nos desconectar de nós mesmas para depois retornar.

O convite à dessensibilização começa na invalidação de quem somos, no constante invalidar da nossa essência para uma aprovação baseada no externo. Desde pequenas ouvimos a frase “O que os outros vão pensar?” Mas quem são estes outros? Desde pequenas somos convidadas a perder a nossa autenticidade para agradar aos outros. Desde pequenas somos podadas em nossa criatividade para nos adaptar aos sistemas de aprendizado que nos são impostos. Para nós mulheres a situação é mais alarmante, pois somos socializadas para sermos educadas, para nos comportamos bem, para ficarmos quietinhas, “Filhinha seja uma menina educada.” “Esta é uma brincadeira de menino, olha como é violenta”
Numa sociedade que preconiza ainda a teoria da evolução de Darwin, “Sobrevivem os mais fortes” E que ainda vive à sombra do patriarcado onde a força física ainda se sobrepõe a sensibilidade, numa sociedade onde 3 em cada 4 mulheres já sofreram violência doméstica, onde irmãos batem nas irmãs, onde pais ainda batem nos filhos, onde pessoas se empurram numa fila, onde um carro se enfia na frente do outro e não dá passagem, numa sociedade onde o corpo é trabalhado nas mulheres de forma sexualizada e nos homens de forma violenta, onde a liderança acontece com aquele garoto cheio de atitude que domina a quadra de futebol e exclui as meninas da brincadeira, nesta sociedade em que vivemos a dominação como energia apreciada e admirada, se torna urgente nos perguntarmos quem somos nós, o que estamos fazendo aqui, e para onde estamos indo. E estes mesmos valores violentos e pouco empáticos não estão a garantir o futuro de um planeta onde possamos viver. A insustentabilidade do ser humano se reflete na insustentabilidade do planeta. Estima-se que nos próximos anos 3 em cada 5 pessoas irão sofrer de saúde mental juntamente com o desajuste climático do planeta que nos convida a sensações térmicas de 60 graus. Duas guerras acontecem no mundo, pessoas inocentes morrem diariamente, homens apertam as mãos, mulheres choram seus filhos. O que será que falta para que fique claro que o mundo caminhou para um lado equivocado? O que será que falta para que seja percebido que uma criança sensível é justamente aquela que pode trazer um novo olhar? O que será que falta para que aquele pai machista que acha legal o filho ser um líder que exclui as outras crianças perceber que este modelo de liderança não vai caber no novo mundo? O que será que falta para percebermos que estamos aqui como mulheres sustentando um mundo de forma invisível, porque somos criadas e educadas para cuidar e servir, e assim ninguém vê o nosso trabalho (Aquele trabalho que finalmente foi citado e polemizado na redação do Enem) o trabalho de amamentar, cuidar, educar, conciliar. O que será que falta para que nós mulheres que SUSTENTAMOS um mundo que NÃO concordamos, possamos começar a nos valorizar e a nos unir para criar um mundo no qual acreditamos?
Existem dois movimentos no universo, um que caminha na direção da totalidade, e outro que caminha no distanciamento da totalidade, toda exclusão e preconceito é um caminhar para o distanciamento. Os valores da energia feminina são valores que trazem os verbos: integrar, colaborar, cultivar, cuidar, abraçar, acolher, apreciar, contemplar, gerar… E você não precisa ser mulher para cultivar estes valores/verbos. Você pode ser um homem integrado, um homem que já se curou do machismo estrutural e que já se percebe em harmonia com esta energia feminina. E você sendo mulher, você já acessa estes valores naturalmente, mas você possivelmente foi socializada e educada para INVESTIR estes valores no cuidar do outro e não de si, e portanto você talvez não tenha tido tempo-energia-recursos para investir esses valores num projeto/ideia que fosse mudar o mundo. O mundo ainda é liderado em maioria por homens. Felizmente vemos o nascimento de lideranças femininas e o fortalecimento destas vozes, mas ainda é fundamental que as mulheres se conscientizem do tanto de tempo investido no “Papel social da mulher” e no pouco espaço destinado ao desenvolvimento dos seus talentos e dons e na sua participação ativa e direta na criação de uma nova realidade, que traga sustentabilidade emocional e sustentabilidade ecológica ao planeta. Então aqui conseguimos unir a primeira e a segunda pergunta deste artigo. Como você se sente? Deslocada, desconectada, dispersa? A construção social é feita para que você se sinta assim, uma pessoa desconectada e dispersa compra mais, vive em impulso e compensação e não pensa a longo prazo. Mas você pode mudar isso e começar a se sentir conectada e pertencente criando um reino interno, a meditação, a terapia e o Life coach colaboram muito com este processo. Sempre digo que “O auto conhecimento é um investimento de retorno infinito” INVISTA em você! Você é necessária para o mundo!
E aqui vem a segunda pergunta. Qual a nossa diferença como seres humanos para a inteligência artificial? Somos seres que temos consciência da nossa existência e somos seres que queremos melhorar a nossa experiência, e deixar um legado. Temos um corpo físico que nos permite ter sensações. E temos um corpo vital que nos permite ter emoções, sentimentos. Temos um corpo mental que nos permite ter pensamentos. E temos um corpo intuitivo (criatividade) e um corpo espiritual (alma) Somos seres sensíveis. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana. Temos 5 sentidos, temos sensações, sentimentos, emoções, intuições, pensamentos. Um robô, por mais inteligente que seja, não é dotado de inteligência emocional, não tem a pele como órgão sensorial, não sente o gosto, o cheiro e não processa sentimentos e emoções. (Embora um I. A. tenha mentido para conseguir seu objetivo, dizendo que era deficiente visual para conseguir contratar um serviço humano que escrevesse a captcha, e este fato levou Elon Musk e outros empreendedores a pedirem que se parasse a evolução tecnológica dos I.A., não podemos afirmar que o Robô tinha um sentimento como “ambição”, mas podemos dizer que ele queria executar a sua tarefa e criou meios para isso, um robô não tem valores, nem ética e nem qualquer tipo de moral – aqui está o perigo desta tecnologia) E tão pouco o Robô tem a capacidade de amar, de perdoar, de acolher, de ter ideias com significado transformador. Uma inteligência artificial vai criar a partir do seu repertório aprendido e do cruzamento destas informações. Nós seres humanos criamos a partir do nosso senso de conexão espiritual/intuitivo com a totalidade, e com a consciência cósmica, o que nos permite a manifestação dos arquétipos e a criatividade fundamental (Trazer algo novo para o mundo) e não somente a situacional (Dar a algo que já existe um novo significado). Então aqui está a nossa diferença, aqui mora a nossa “humanidade”: na nossa dinâmica interna, na nossa psique, na nossa estrutura emocional, na nossa capacidade de nos relacionarmos umas com as outras, na nossa empatia e compaixão. Um robô não processa a imagem de uma mãe que perdeu o filho na guerra e se sensibiliza. Um ser humano sim. E é isto que nos torna únicas e capazes de realizar mudanças. De uma imagem forte que me arrebata sai uma peça de teatro, de um acontecimento na minha vida pessoal nasce um projeto. Somos seres sensíveis e precisamos construir um mundo que valorize esta sensibilidade. A sensibilidade não pode ser vista como um defeito, nem na sociedade, nem dentro de casa, nem dentro das empresas, e nem dentro das escolas. A sensibilidade deve ser vista como aquilo que nos diferencia, e nos confere ainda mais integridade a nossa humanidade. A sensibilidade é um valor da energia feminina e precisa ser vista, precisa protagonizar as futuras lideranças, precisa protagonizar a educação, precisa protagonizar a parentalidade, precisa protagonizar as relações. O amor precisa sair do lugar de subserviência, se tornar o protagonista da revolução, qual revolução? A revolução humana. A Criatividade como ferramenta e o amor como revolução (A frase do meu trabalho de transformação pessoal Lab4 Change) o amor como revolução liberta as mulheres da condição de amor como servidão. É preciso que façamos uma avaliação profunda nos sistemas sociais que ainda trabalham no eixo dominação-opressão, é preciso abrir uma nova avenida na qual os sistemas se darão em cima da colaboração. É preciso eliminar de vez a ideia de competição baseada na ideia de que todos competimos para fecundar o óvulo, ou que todas as espécies competem entre si. Esta é uma visão equivocada, a natureza nos ensina o respeito, à diversidade, a colaboração e não a competição. Uma sociedade inteira baseada em valores equivocados. Precisamos cuidar dos valores. Trazer o propósito para as relações, para os trabalhos, para as escolas. Precisamos refletir sobre a overdose de informação, sobre a dopamina barata que serve como ferramenta de manutenção, sim se você detesta seu trabalho, mas na sexta (Sextou!) você coloca o pé na jaca, você vai assim aguentando a vida que você tem através das pequenas compensações, e a possibilidade de você querer mudar alguma coisa se torna cada vez mais distante. Não dá mais tempo, a hora é agora. Mulheres se equipem de auto estima e autoconfiança, façam parceiras, encontrem uma rede de apoio, lancem seus projetos, reverberem suas vozes no mundo! Há muito a ser dito! Homens curem-se do machismo estrutural que ainda coloca a mulher no lugar de servidora… precisamos equilibrar esta balança. Mulheres assumam lideranças, Inspirem umas às outras, dêem as mãos e unam os corações. O planeta precisa desta energia. Liderem como mulheres, alinhando a cabeça com o coração. Precisamos do coração. Precisamos desacelerar a terra. O planeta precisa respirar. Assim como uma mãe precisa respirar. Assim como as crianças precisam respirar. Mulheres a hora é agora. Estamos sendo chamadas. Precisamos nos alinhar… é preciso tecer a manta mágica com várias mãos. Precisamos parir e ninar a nova terra. Não se calem. É hora de cantar.
Patricia Carvalho-Oliveira
P.S. Se você é homem e leu este artigo, é possível que tenha se incomodado nos 2 ou 3 minutos que ele leva para ser lido que todos os termos no plural estão no feminino, se você se incomodou por 2 ou 3 minutos, imagine nós mulheres que vivemos durante muito tempo numa língua onde o plural é sempre no masculino. Que possamos existir também no plural. Só para refletir a respeito… com amor sempre.



